The Post

The Post

Título: The Post
Ano: 2017
Realização: Steven Spielberg
Interpretes: Meryl Streep, Tom Hanks, Sarah Paulson…
Sinopse: Um grande segredo que durou durante quatro presidentes norte-americanos que levou a primeira editora de jornais do país a uma batalha entre a imprensa e o governo.

Filmes sobre grandes decisões e personalidades audazes deviam ser mais vezes apresentados ao público. Foi exactamente mesmo isso que fez Steven Spielberg. Baseou-se em eventos reais que moldaram a vida de Kay Graham, a editora do jornal Washington Post. Foi este mesmo jornal que esteve no centro da conspiração Watergate que liderou à resignação do Presidente dos Estados Unidos da América, Richard Nixon. Kay Graham interpretada brilhantemente por Meryl Streep tomou uma forte decisão que podia terminar com a sua carreira e coloca-la na prisão, mas mesmo assim aceitou os riscos. Os meios de comunicação tem a principal função de comunicar a verdade ao público e tal tem de ser feito, mesmo que seja difícil de compreender. Kay Graham foi a primeira mulher à frente de um jornal, numa época em que o grupo feminino ainda não tinha a liberdade completa num mundo de homens que ocupavam grandes cargos. Um jornal de família que o seu pai antes de falecer, passou ao seu marido que morreu precocemente e Kat foi obrigada a impor-se e continuar com o negócio. Contratou Ben Bradley (Tom Hanks) para seu editor. Em 1971 conseguiram através de uma fonte os “Pentagon Papers” sobre o envolvimento dos Estados Unidos da América na Guerra do Vietnam, desafiando a proibição do governo americano. Esta decisão mudou para sempre a história do jornalismo.

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Três grandes nomes do cinema estão centrados neste filme. Steven Spielberg, Meryl Streep e Tom Hanks, seria Óscar garantido. Na verdade apenas se ficou pelas nomeações de Melhor Filme e Melhor Atriz. “The Post” é um filme bastante seguro e sóbrio. A narrativa é forte, foca-se em factos reais sobre o jornalismo e política. O argumento também convence e somos transportados para os anos 70. O pessimismo de guerra e ainda os escândalos prontos a estalar são manchetes  todos os dias nos jornais, mas o abalo principal é para o governo do país. Os atores são fiéis às suas personagens que procuram a sua liberdade de exprimir os factos para o povo americano e desenterrar a verdade de quatro presidentes dos Estados Unidos.

O filme é bom e para gosta de História moderna é interessante conhecer estas personagens. Contudo não ficou completo, principalmente nos registos finais em faltou perceber o que aconteceu aos protagonistas. O filme passou mais tempo a divagar entre expor o governo ou não no jornal e no final não havia tempo para o penoso julgamento que decorreu. Esperava mais drama nessa parte. Concluindo esta é uma obra plausível e claro temos Streep e Hanks e não podia ser melhor. O blogue atribui 3,5 estrelas em 5.

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Ready Player One: Jogador 1

Ready Player One: Jogador 1

Título: Ready Player One
Ano: 2018
Realização: Steven Spielberg
Interpretes: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn…
Sinopse: Quando o criador de um mundo virtual, chamado de OASIS, morre, ele lança um vídeo onde convida todos os usuários do jogo a encontrar os Easter Eggs escondidos, e quem conseguir recebe a sua fortuna.

Ready Player One” é um dos filmes de destaque deste ano, e facilmente percebemos porquê. Qualquer pessoa a um certo momento do filme consegue identificar-se com as várias referências apresentadas. A cultura pop muito bem evidenciada, com memórias que facilmente nos transportam para a nossa infância/adolescência. Referências a filmes, séries, jogos e à cultura japonesa são abordados de forma carismática e muito divertida, dificilmente queremos perder um segundo desta obra cinematográfica.

Estamos no ano de 2045, um mundo degradado e quase perdido. A Humanidade incapaz de enfrentar a realidade, torna-se submissa do mundo virtual. Moldando o realismo com os seus gostos da forma que lhe convém. Enclausurados num novo mundo mutante, uma escapatória para os problemas do quotidiano. O protagonista é Wade Watts (Tye Sheridan) um jovem orfão, que vive com a tia e o namorado, na sua vida real. Mas o mundo ficcional é bem mais interessante. Com um novo nome, visual renovado e um carro fixe igual ao DeLorean do filme “Back to the Future” joga todos os dias neste videojogo, chamado de OASIS, criado por James Halliday. De facto Watts é um curioso estudante da vida e obra desta mente brilhante. Halliday que faleceu há uns anos, anunciou que iria deixar toda a sua fortuna e direitos do OASIS à primeira pessoa que conseguir encontrar os escondidos “Easter Eggs”, presentes no jogo. Uma verdadeira caça ao tesouro, onde todos tem a ambição de participar e tornarem-se vencedores do concurso, incluindo Wade Watts.

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O jovem elenco conseguiu portar-se à altura deste grandioso projecto. Algumas caras já reconhecidas como Tye Sheridan (X-Men Apocalipse), Olivia Cook (Bates Motel) e Lena Waithe (The Masters of None). O visual da personagem de Lena, assemelha-se muito ao de Will Smith na série “The Fresh Prince of Bel-Air“, uma série de culto dos anos 90. O vilão da narrativa, interpretado por Ben Mendelsohn, foi a personagem com desenvolvimento mais baixo. Um pouco superficial e com atitudes mimadas, que desvalorizaram o seu desempenho. O mesmo aplicou-se para a sua funcionária, uma personagem descartável que nenhum progresso evidenciou no filme.

A realização de Steven Spielberg apresenta-se sublime como sempre. Clara, precisa, sem falhas e com trechos necessários para avançarmos na história. Não existem momentos perdidos, contudo, algumas situações mereciam ser explicadas para compreendermos melhor o contexto deste futuro. A Humanidade deixou-se ficar no caos devido ao abuso dos videojogos?

O recurso aos efeitos visuais foi necessário, mas bem editado. A realidade e o mundo virtual bem diferenciados mas com espaços de tempo necessários a cada um. Os CGI estão bem delineados e conseguem transportar o público para aquele universo inventado, cheio de cor e magia. Das melhores qualidades do filme. O mesmo aplica-se à banda sonora de Alan Silvestri, que solidifica com mais precisão e sincroniza os momentos evidenciados pelos protagonistas.

Baseado no livro de Ernest Cline, consigo apenas evidenciar o que vi no filme e não o que está presente no na obra literária. Contudo este tornou-se um filme que excede as expectativas e que nos ilude com bons anos de entretenimento que é o caso dos 80 e 90, com várias referências que todos nós conhecemos. Não duvido que daqui a uns anos “Ready Player One” possa tornar-se num filme de culto, tal como aqueles comentados neste filme. Entretanto, deixo o meu agrado com esta longa-metragem que além de tudo transmite uma sábia mensagem. Devemos aproveitar ao máximo a nossa verdadeira realidade, mas por vezes um escape é necessário. O blogue atribui 4 estrelas em 5.

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Crítica: A Ponte dos Espiões

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Steven Spielberg dedicou-se totalmente a um drama real sobre a Guerra Fria.

Convém frisar logo no início que “A Ponte dos Espiões” é um filme baseado em factos verídicos. Sim aconteceu mesmo, por mais incrível que pareça. Estávamos em 1962, em pleno pico da Guerra Fria, e o que pode parecer uma realidade distante, não aconteceu assim há muitos anos.  O filme começa em Brooklyn, com a captura de Rudolf Abel (Mark Rylance). O homem estava a ser seguido por um agente do FBI. As acusações eram simples, Rudolf era um espião soviético. Parcialmente cidadão norte-americano deve ser julgado como tal, e para isso tem um advogado de defesa. James B. Donovan (Tom Hanks) é o escolhido para tal tarefa, e mesmo sendo considerado o “the most unpopular man in America” devido ao caso é justo no seu trabalho e pretende conhecer o lado da história do julgado. Abel e Donovan rapidamente perdem as intimidades e começam a conhecer-se melhor, dessa inesperada relação cresce uma amizade. Apesar do olhar e opinião acusadora do povo americano, Donovan deseja um julgamento adequado, mesmo com decisão já tomada da justiça do país. No entanto quando um piloto norte-americano é capturado pela Rússia, apenas Donovan é o único homem capaz de negociar os interesses prisioneiros.

Steven Spielberg como realizador e os irmãos Ethan e Joel Cohen como argumentistas, juntamente com Matt Charman, tornam-se numa combinação de genialidade e  equilíbrio. [LER MAIS]