Leaving Neverland

Leaving Neverland

As revelações são chocantes. Não queria continuar a ver, mas por outro lado os meus olhos não descolavam o ecrã, tamanha era a vontade de conhecer aquela história. A polémica, não é nova. Michael Jackson já foi acusado de abusos sexuais a menores. Houve um julgamento, os media focaram-se no assunto. Culpado ou inocente? Contudo não houve provas suficientes para ir imediatamente para trás das grades.

Neste documentário da HBO com duas partes e com duas horas cada um, acompanhamos duas histórias com o mesmo propósito. Expor a verdade sobre os segredos do rei do pop. Dois homens, que enquanto crianças foram amigos íntimos de Michael Jackson explicam a sua versão dos acontecimentos. Como o artista os aliciava com brincadeiras, doces, e todo um mundo de luxo e novidades durante o dia e durante a noite lentamente criava o contacto sexual. Tudo muito secreto e nada comentado. O carisma de Michael Jackson era tão forte que os jovens entre os 7 e 13 anos cumpriam, mesmo que significa-se o sofrimento em silêncio.

Estes casos não eram descobertos, mesmo com os pais das crianças próximas do local onde tudo acontecia. Neverland o refúgio do artista era um forte construído propositadamente para este efeito. Com as suas divisões secretas, sala de cinema privada, quartos de brincadeira, jardim zoológico, piscina e parque de diversões privado. Um local de fantasia que escondia terríveis crueldades.

Admito que fiquei um pouco perturbada com estas acusações. Nunca considerei Michael Jackson um homem normal, as suas presenças em público eram estranhas e isso também se reflectia na sua aparência. Era extravagante e inocente ao mesmo tempo. Um miúdo que cresceu muito rápido e consequentemente trouxe problemas emocionais para o seu futuro. Neste documentário bastante explícito,  Wade Robson e James Safechuck revelaram pormenores da sua intimidade com Jackson. Contudo considero que este é apenas um documentário visto de um lado da história. “Leaving Neverland” explica apenas o lado do acusadores. Será verdade? Ou é apenas o dinheiro a falar? Um mistério que ainda vai continuar, pois existe quem afirme e quem desmente.

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Mommy Dead and Dearest

Mommy Dead and Dearest

Neste documentário sobre factos reais explica a história que chocou a América em 2015. Este é o caso de Dee Dee e Gipsy, mãe e filha que apesar das aparências, não eram uma família normal. Dee Dee sempre muito protectora e cuidadora da filha, já que Gipsy não era autónoma, sofria de várias doenças, tais como epilepsia, músculos atrofiados (não podia andar), múltiplas doenças respiratórias, indisposição intestinal e mantinha fracas defesas no seu sistema. Já tinha vencido o cancro, mas o seu corpo era muito fraco e não conseguia sobreviver sozinha. Graças à sua situação, as duas era tratadas com carinho na comunidade local, não pagam impostos e receberam várias ofertas de viagens e passeios devido ao estado terminal de Gipsy. Apesar de todas as evidências e várias idas ao hospital…era tudo mentira.

Gipsy que desde criança vivia só com a mãe, desde muito nova foi incentivada a vários tratamentos e a medicação diária. A loucura e mentira da mãe chegou ao fim, quando em 2015, Gipsy já cansada da prisão onde vivia, pediu ao namorado para assassinar Dee Dee. O choque foi de todos, quando se descobriu a verdade das falsas doenças de Gipsy, que ainda cumpre pena de prisão, mas mantém-se uma rapariga saudável e normal sem necessidade de tomar medicamentos. “Mommy Dead and Dearst” é um forte documentário da HBO que reflecte a história de Gipsy na primeira pessoa. Após a sua sentença aceitou esta entrevista exclusiva a explicar os pormenores da sua vida com a mãe e os contornos da sua morte. Gipsy tornou-se numa vítima a uma culpada, mas não está completamente inocente.

Difícil de acreditar que aconteceu mesmo, pois quase parece enredo de um filme. A Hulu lançou uma série “The Act” que vai estrear a 20 de março onde explora o que aconteceu a Gipsy e a Dee Dee. Podem ver o trailer aqui:

Entretanto se gostariam de assistir a este documentário podem aderir ao HBO Portugal. Informo que pode conter imagens chocantes para os mais sensíveis.

Secrets of Great British Castles

Secrets of Great British Castles

Dan Jones é um excelente historiador. O seu conhecimento sobre a História é transmitido de forma clara, fácil e sentimos que ficamos com vontade de aprender mais. Conheci os documentários deste apresentador sem estar à procura. Lembro-me que era um sobre o reinado do rei Henry VIII. A partir daí comecei a seguir o trabalho de Dan Jones. Descobri esta série de documentários sobre os fantásticos castelos britânicos nas recomendações da Netflix. Soube imediatamente que era a série ideal para mim.
Ao longo de duas temporadas conhecemos os castelos de Dover, Torre de Londres, Warwick, Caernarfon, Stirling, Carrickfergus, Edimburgo, Cardiff, York, Lancaster, Leeds e Arundel. Segredos são desvendados e histórias turbulentas sobre poderio militar, político, religioso e social ao longo da História britânica.
A boa disposição do apresentador, Dan Jones é cativa e a sua linguagem é muito própria e nada enfadonha. Quem não gosta de História, acho que vai ficar a gostar. Além de mostrar os locais onde tudo se passou, Jones aborda especialistas em determinados assuntos para uma melhor encenação do que realmente aconteceu e se era possível atualmente. O público viaja por lugares fantásticos com Dan Jones que nos conta os grandes segredos da História daqueles locais. Este é um complemento muito interessante para os amantes do tema.

Casting JonBenet: A Pequena Rainha da Beleza

Casting JonBenet: A Pequena Rainha da Beleza

Mesmo passados 21 anos, a morte de JonBenét Ramsay ainda está envolta em muito mistério. A menina norte-americana de 6 anos foi assassinada em sua casa no dia de natal. Participante assídua de concursos de beleza JonBenét era uma boneca com cara de anjo que adorava ser adulta. Maquilhava-se e vestia-se a rigor para os concursos de miss no seu país, do qual conseguiu ganhar alguns. A Netflix baseou-se no caso que ainda hoje provoca opiniões distintas nos norte-americanos e criou um documentário sobre a pequena rainha da beleza.

 Com contornos diferentes dos habituais documentários, desta vez não tentamos descobrir as evidências do que verdadeiramente aconteceu, nem descobrimos o culpado. Em “Casting JonBenét”  durante uma hora, conhecemos as suspeições do caso. Várias pessoas fazem o casting para interpretarem os envolventes, enquanto explicam a sua opinião pessoal sobre a situação. Falam à vontade dos seus sentimentos e expressam com base no que ouviram e viram, basicamente o que conhecem.

Esta é uma forma inovadora de apresentação do documentário. Conhecemos o outro lado, o da opinião pública. E este lado é o que mais impacto tem. Quanto à verdade ainda está por descobrir. Será que foi a mãe? O pai? Ou o irmão? Havia assédio sexual? Ciúme? São todos temas que estavam na mesa mas nenhum foi oficialmente confirmado.

Sobressaí a montagem final deste documentário, onde retrata as várias hipóteses do acontecimento e as suas percussões. Tudo ao mesmo tempo. Já podem assistir na plataforma Netflix.

Twinsters

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Isto podia ter sido um filme, mas não é. Anaïs Bordier vive em França e Samantha Futerman nos Estados Unidos da América, há uns anos atrás descobriram que eram irmãs…gémeas. Samantha conseguiu papéis em séries como The Big C e nos filmes As Memórias de uma Geisha e 21&Over, além disso fazia vídeos para o Youtube. Ora foi nesses vídeos do Youtube que  Anaïs, quase do outro lado do mundo, viu alguém muito idêntico a si. Foi através do Facebook que começaram a falar e as semelhanças eram imensas. Depois de muito Skype, decidiram encontrar-se em carne o osso. Sam foi a primeira a ir a França e tornaram-se imediatamente inseparáveis. Sempre sabiam que eram adoptadas, mas nunca pensaram  na hipótese de terem uma irmã gémea. Fizeram os testes de ADN e revelou serem mesmo idênticas. A busca não parou por aqui,  Anaïs e Sam queriam descobrir mais sobre o passado de ambas. Visitaram a Coreia com a possibilidade de conhecerem a mãe biológica.

Tudo este processo foi filmado para um documentário. “Twinsters” explora a jornada de descoberta das duas irmãs separadas à nascença. As dúvidas, o amor crescente, a procura de mais semelhanças e a alegria de terem encontrado uma à outra. A própria Samantha Futerman e Ryan Miyamoto (realizadores) retrataram com clareza todos os momentos vividos. Achei mesmo irresistível este documentário, estas histórias mexem mesmo comigo. Interessante, revelador, e com uma excelente fotografia acompanhamos o encontro das duas irmãs. O documentário pode ser visto na Netflix.

Amanda Knox

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Inocente ou Culpada?

Neste documentário da Netflix recordamos o mediático homicídio da inglesa Meredith Kercher, em Itália. Amanada Knox, uma norte-americana e sua parceira de quarto foi a principal suspeita do crime. Esteve presa durante quatro anos, mas só em 2015 é que foi aprovada como inocente pelo Supremo Tribunal, juntamente com o seu namorado da época, Raffaele Sollecito. O caso remota a 2007 em Perugia, Itália e foi do assunto mais referido na imprensa. De jogos de sexo, a rituais satânicos, todos esses assuntos foram apontados como as causas do sucedido. Amanda estava na mira dos jornalistas, todo o seu passado foi descoberto e todas as suas fotografias publicadas. De personalidade extrovertida a jovem foi vista como a culpada do homicídio. Porquê tudo isto? A resposta é simples, porque vendia e os jornais queriam tirar o maior proveito. Este documentário da Netflix não quer provar a inocência de Amanda, o principal objectivo é explicar os factos, num processo que arrastou-se durante anos e anos. E ainda hoje não existem certezas.

Amanda Knox
Amanda Knox voltou a dar novamente a cara e a recordar os acontecimentos daquele dia que mudou para sempre a sua vida. Além da protagonista, nas testemunhas do caso podemos ver Raffaele Sollecito, um jornalista e o Inspector italiano do homicídio. Com imagens reais, este documentário prima pela seriedade dos acontecimentos e da abordagem de todo o processo. No entanto para alguém como eu, que apesar de conhecer a história, não me recordava dos contornos, achei que deixaram algumas pontas por esclarecer. Nomeadamente do lado de Meredith, mas por um lado este era um programa sobre Amanda. O media foram dos principais responsáveis na averiguação dos culpados, mesmo antes da polícia. O que mais uma vez explica que a opinião pública pode muito bem ser manipulada para o lado que interessa mais. Aconselho a assistirem a este documentário, está no Netflix.

Killing Lincoln

killing-lincoln-billy-campbell-jesse-johnsonKilling Lincoln é um documentário filmográfico produzido pela National Geographic, em 2013. Comecei por assistir a este documentário, porque recentemente assisti ao filme The Conspirator (2010) com James McAvoy e Robin Wright, do qual centrava-se na história de Mary Surratt da qual foi culpada por uma rede de conspiração no assassinato ao presidente Lincoln. Mary foi a primeira mulher a ter a punição de morte nos Estados Unidos da América. Gostei de todo o enredo do filme e por isso tive a curiosidade em assistir Killing Lincoln, para aprofundar os meus conhecimentos daquele que foi um dos crimes mais mediáticos de toda a história da América do Norte. Com a narração do ator Tom Hanks (Forrent Gump) envolvemos-nos completamente em toda a história, com assuntos detalhados e documentados. Nota-se que houve uma pesquisa integral em todo o acontecimento, desde a conspiração, até à execução dos traidores. A morte do Presidente Abraham Lincoln a 14 de Abril de 1865 ainda é um dos “pontos sensíveis” da história americana. O que faz matar um dos presidentes mais adorados e mais benevolentes do país? Baseado no best-selling da New York Times, cheio de suspense, compreendemos os motivos e consequências do sucedido e como na altura se conseguiu lidar com a situação.

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Gostei da narração de Tom Hanks deu um efeito ainda mais dramático ao sucedido, e não se limita apenas na voz, mas também nas expressões que fazia. Fiquei impressionada com as fotografias de época apresentadas durante o documentário, mais na parte final. Nenhum pormenor foi deixado de “pontas soltas” e tudo foi devidamente explicado. Aconselho a assistirem, principalmente se gostam de história. Agora fiquei com curiosidade de assistir ao filme Lincoln (2012), realizado por Steven Spielberg. Sempre a aprender, sempre a aprender…